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Archive for the ‘Colaborações’ Category

Governo do Estado fecha 49 escolas

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O JAAJ divulga em seu blog, na íntegra, reportagem de Maria Luisa de Melo publicada no JB on line, que denuncia o fechamento pela Secretaria Estadual de Educação de 49 escolas da rede de ensino.

No período de 1 ano e seis meses o secretário Wilson Risolia autorizou o fechamento de 49 escolas da rede estadual do Rio de Janeiro. A maioria das unidades funcionava em prédios da Prefeitura do Rio, à noite, e atendia jovens e adultos fora da idade regular da educação básica. Ou seja, as unidades fechadas eram destinadas aos alunos mais velhos: a maioria trabalha durante o dia e tem apenas a noite para suprir a deficiência educacional e concluir os ensinos Fundamental e Médio.

Das 49 unidades de educação que foram extintas, 31 funcionavam na capital, outras dez em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A Baixada também não escapou dos fechamentos: quatro escolas de Japeri tiveram as portas fechadas, assim como três em Magé; e uma em Guapimirim. Há expectativa de que o número de unidades estaduais fechadas cresça ainda mais no ano que vem.
As unidades fechadas usavam prédios de escolas municipais, como é o caso da Escola Municipal Pereira Passos, que à noite cedia espaço para os alunos do Colégio estadual Eça de Queiróz

Diretora do extinto Colégio Estadual José Pedro Varella (Rio Comprido), por sete anos, a professora Maria João critica o fechamento das unidades e encarou a decisão do secretário estadual de Educação como uma manifestação de “descomprometimento com o ensino público”. São pais de família que querem estudar. Só isso.

“Tenho a impressão de que o governo está na contramão de aumentar o número de alunos nas salas de aula. Na escola em que eu era diretora eram 500 alunos matriculados e frequentando as aulas. A maioria não teve a oportunidade de estudar quando jovem. Então, estavam aproveitando a oportunidade durante a noite. Trabalhavam de dia e estudavam à noite. Quando o secretário anunciou o fechamento, muitos abandonaram, porque só conseguiriam transferência para escolas distantes”, destaca a educadora.

Outro problema que chama a atenção no fechamento do Colégio Estadual José Pedro Varella é que muitos alunos eram oriundos do Morro do São Carlos e só conseguiram vagas para estudar numa unidade de educação localizada no Morro do Turano, de facção rival. Ambas as comunidades ainda estão em processo de pacificação.

“Como você vai mandar um aluno de uma comunidade na qual há resquícios de bandidos de uma facção rival à de outra? Os meus alunos tiveram medo diante desta situação de insegurança e eu os aconselhei a procurar a escola que fosse mais tranquila. O problema é que muitos tiveram dificuldades de encontrar escolas próximas de suas casas. São pais de família que querem estudar. Só isso. Mas o governo estadual não colaborou! Educação não é gasto. É investimento”, critica.

Deputado: “Governo não tem bom senso pedagógico”

Depois de organizar diversas audiências públicas na Assembleia Legislativa do Rio, ao longo do ano passado para tratar do problema, o presidente da Comissão de Educação, Comte Bittencourt (PPS) classifica a situação como “irreversível”.

Depois de convocar o próprio secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, para explicar o fechamento das unidades, Comte diz que o atual governo “não tem bom senso pedagógico”.
Segundo ele, o secretário justifica o fechamento das escolas de ensino compartilhado dizendo que é preciso economizar e otimizar a rede. “Se o secretário nota que tem duas turmas cada uma com 30 alunos, ele prefere fazer apenas uma com 60. Esta é a lógica. Infelizmente, não conseguimos frear isto”, limita-se a comentar.

Governo: não fechamos, municipalizamos

Procurado pelo Jornal do Brasil, o governo do Estado nega que tenha fechado as unidades.

“Esclarecemos que a ação não foi de fechamento de escolas. O que houve é o que se chama de municipalização, e há legislação sobre isso. O Ensino Fundamental  é de responsabilidade dos municípios.

O Ensino Médio, do Estado. E o Ensino Superior, do Governo Federal. Porém, ainda há muito Ensino Fundamental sob responsabilidade das escolas estaduais. E o que a Secretaria estadual vem fazendo é transferindo as escolas com alunos do Fundamental para o município, quando há capacidade de o município absorver essa demanda, o que é o caso da cidade do Rio de Janeiro. Chama-se municipalização. Os alunos permanecem estudando, só passam a ficar sob responsabilidade do município a partir disso”, diz a nota enviada ao JB.

Confira a lista de escolas fechadas no Rio pelo Governo do Estado:

>> Capital:
C.E. Coccio Barcelos
C.E. Pedro Varela
C.E. Francisco Cabrita
C.E. Cícero Pena
C.E. Clotilde Guimarães
C.E. Professor Souza Carneiro
C.E. Walt Disney
C.E. Roraima
E.E. Edgar Werneck
E.E. Augusto Cony
C.E. Professora Silvia de Araújo Toledo
C.E. Alfredo de Paula Freitas
C.E Astolfo Rezende
C.E. Brigadeiro Eduardo Gomes
C.E Paulo da Portela
C.E. Professora Nilza Mendonça de Oliveira
C.E. República de São Tomé e Príncipe
C.E. Rio de Janeiro
C.E. Washington Luis
EEES George Summer
EEES Professor Souza Carneiro
C.E. Charles Peguy
C.E. Celestino da Silva
C.E. Equador
C.E. José Pedro Varella
C.E Sérgio Buarque de Holanda
EEES Benedito Ottoni
EEES Evaristo da Veiga
EEES General Euclyades Figueiredo
EEES Laudímia Trotta
EEES Leitão da Cunha

>> São Gonçalo:
E.E. Brigadeiro Antonio Sampaio
E.E. Alberto Silva
E.E. Lucio Tomé Feiteira
E.E. Professora Henny de Mendonça Gama
E.E. Aurélio Quaresma
CIEP Professor Djair Cabral Malheiros
E.E. José Augusto Domingues
E.E. Dr. Luiz Palmier
E.E. Alcebíades Peçanha
C.E. Sueli Mota Seixas

>> Japeri:
C.E. JOAO XXIII
C.E. RIO DO OURO
C.E. ARMANDO DIAS
CIEP LUCIMAR DE S. SANTOS

>> Magé:
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR CARLOS CAMACHO
C.E. PROFESSORA LUIZA VIEIRA
C.E. PARQUE DO IMPERADOIR
>> Guapimirim:
C.E. SIMÃO DA MOTA

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Portal G1 denuncia erros grosseiros no material pedagógico da SME

apostila_capitaisImagem (Créditos): G1

Todos ao Ato do dia 22, em frente à prefeitura, às 10h!

O Portal de Notícias G1 denuncia o que o SEPE e toda a categoria já alertavam há muito tempo: As apostilas da SME são distribuídas às escolas com vários erros de conteúdo, além de ficarem na superficialidade dos temas apresentados, numa opção clara por oferecer um mínimo de informações que facilitem o treinamento dos alunos para as respostas das provas e a consequente elevação de suas notas. Com isso, a SME passa para a sociedade uma falsa imagem de sucesso que esconde, na verdade, a imposição aos professores de um material de trabalho de baixa qualidade, feito com dinheiro público, direcionado aos filhos das classes trabalhadoras, com objetivo, apenas, de melhorar índices, como se a formação humana pudesse estar submetida a um sistema de coleta de dados e estabelecimento de metas. Veja a notícia: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/05/apostila-distribuida-em-escolas-do-rio-erra-capitais-de-estados-do-ne.html
As comunidades Escolares da Rede Municipal querem um ensino de qualidade, libertário e transformador! Por isso dizem NÃO aos conteúdos superficiais e mal elaborados das apostilas, NÃO à retirada da Língua Espanhola do currículo, N ÃO ao fim do horário integral nas Escolas do Amanhã, NÃO à falta de autonomia pedagógica, NÃO à política meritocrática em detrimento ao plano de carreira e à data base!
Os Profissionais da Rede Municipal dirão NÃO no Ato em frente à Prefeitura, no dia 22, às 10h!

Extraído do site do SEPE
http://www.sepe.org.br

Tombamento Célio de Barros e Júlio Delamare em foco: Em audiência, professores e atletas citam dificuldades

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Henrique de Almeida – Jornal do Brasil

Em audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira, a demolição do estádio de atletismo Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio Delamare foi questionada, e foi pedido o tombamento dos dois estádios.

Os atletas alegam não ter local para treinamento no Riode Janeiro, enquanto o Governo do Estado não constrói os novos equipamentos esportivos.

O defensor público da União, André Ordacgy, entrará com uma ação pública pedindo a suspensão das demolições e o tombamento a nível federal:

” O artigo 1º  do decreto-lei 25, de 1937, prevê o tombamento para preservação da memória nacional. Por isso, vamos atrás dos documentos históricos para mostrar que a liminar tem de ser concedida pela preservação do esporte nacional. O Iphan, que autorizou a demolição dos dois estádios, será réu neste processo’, explicou o defensor.

A professora de Atletismo e coordenadora do Projeto Rio 2016,  Edneida Freitas, de 48 anos, diz que a situação é dramática para muitos atletas, vários moradores de comunidades nos arredores do Complexo:

“Fomos os primeiros a ser atingidos, no dia 9 de janeiro. Os atletas têm que pegar duas conduções para ir treinar no Engenhão, muitos que sem o esporte vão parar na rua, no crime. E as alternativas, Engenhão e a Quinta da Boa Vista, não são apropriadas. Não teremos atletas entre os 10 melhores do Brasil do Rio de Janeiro. E não deram nenhum suporte para treino, transporte, nada, lamenta ela, que de 320 atletas passou a treinar apenas 180 após o início da demolição.

A viúva de Júlio Delamare, Míriam Delamare ,esteve presente na audiência e se emocionou ao falar do legado do marido: ”É muito importante manter não só um local de competição, sobretudo para o esporte comunitário’, disse Míriam.
O presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Lancetta, está indignado com o prazo dado pela IMX, uma das ganhadoras da licitação, para a construção de novos equipamentos:

‘Está na licitação que serão 30 meses para construção de outros equipamentos. Quando eles estiverem prontos, já será abril de 2016, e a Olimpíada acontece em julho. Vamos acabar com a memória de um local que já abrigou atletas como Aída dos Santos, João do Pulo, Ademar Ferreira da Silva e outros’, disse Lancetta, acrescentando que em nenhum momento foi procurado pelo Iphan para tratar da demolição. Ele reclamou ainda de uma proposta “ridícula” feita para o local dos novos equipamentos.

“Eles querem usar uma área de 22 mil m² para ser dividida entre a Federação de Atletismo do Rio e a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Só o Célio de Barros, por exemplo, tinha 25 mil m². Como que vou utilizar tão pouco espaço? Como a CBDA terá apenas 6 mil m² para treinar todos os seus atletas?”, questionou Lancetta.

Pragas e ironias

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos(CBDA), Coaracy Nunes, criticou a omissão de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro.
‘Em entrevista, ele se declarou a favor das demolições, em solidariedade ao governador. Enquanto isso, nos cortaram hoje a água quente para treinarmos. Não podemos contrair o risco de os atletas contraírem hipotermia. A partir de amanhã, sairemos de novo do Parque’, revelou Nunes,que ainda rogou uma praga contra os governantes que estão ‘destruindo o esporte no Rio’,segundo ele. “Não serão eleitos. Perder eleição é a única coisa que eles temem”, disse, enfático.

O deputado estadual Marcelo Freixo(PSOL) elogiou a iniciativa da Defensoria Pública da União, apesar de achar que a discussão poderia ter começado antes. Segundo o presidente da Comissão de Direitos humanos da Alerj, a falta de instalações esportivas na cidade mostra que a prioridade não é o esporte:  ” São ciclistas sem velódromo, pilotos sem autódromo, nadadores sem piscina e atletas sem estádio. Esse é o quadro do esporte na cidade olímpica, que mostra qual é a prioridade do governo do Estado e da prefeitura”, ironizou Freixo.

Apesar de não ter podido estar presente, o deputado federal Romário(PSB), emitiu uma nota lamentando “a mentira do legado olímpico que desmancha o patrimônio do nosso esporte” e apoiando a suspensão das demolições.

Convidados para a audiência, o secretário da casa-civil, Régis Fitchner, e o Secretário de Esportes, André Lazaroni, não compareceram.

Dramas

Duas atletas de saltos ornamentais deram o tom do drama vivido pelos atletas que frequentam os dois estádios. “São 10 mil atletas por ano lá e chamam o Júlio Delamare de ocioso”, lamentou Mônica Amaral, de 19 anos, da Seleção Brasileira da modalidade.

“Estamos retrocedendo na preparação para as Olimpíadas. Agora, sem o Júlio Delamare, vamos ter que procurar outro local para praticar, treinando menos horas porque a piscina não é nossa, gastando dinheiro para usar as instalações dos outros. Estão acabando com o nosso esporte”, disse Mônica, arrancando lágrimas dos presentes.

Uma outra atleta, identificada como T.T, de apenas 14 anos, que poderia estar vivendo o sonho de disputar um campeonato Sul-Americano na Colômbia, vê na competição que se inicia no dia 3 de junho um pesadelo cada vez mais próximo. “Faltam menos de 20 dias e não temos local para treinar para a competição. O Parque Aquático Júlio Delamare é tudo para mim, e realmente não sei o que vai acontecer a partir de agora”, lamentou a atleta.

Fonte: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/05/16/tombamento-celio-de-barros-e-julio-delamare-em-foco/

18 de Maio – Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

CAMPANHA-18-DE-MAIO-2012-ADESIVO-FAÇA-BONITO1Tatiana Santiago*

A Lei 9.970 de 17 de maio de 2000 institui o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-juvenil. Esta lei é símbolo de uma campanha que envolve diversos setores da sociedade brasileira na luta pelos direitos das crianças e adolescentes de nosso país.

Em 1973 um crime odioso chocou o Brasil e marcou profundamente a nossa sociedade, se configurando como um símbolo de toda a violência que se comete contra crianças e adolescentes.

Em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Sanches, com apenas oito anos de idade, foi sequestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. O caso repercutiu na mídia, mas mesmo com o aparecimento de seu corpo, desfigurado por ácido, em uma rua da cidade de Vitória (ES), poucos foram capazes de denunciar o crime bárbaro. O silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.
O combate à exploração sexual é responsabilidade de toda a sociedade e do Estado, assim como a luta contra todos os tipos de violência para com a população infanto-juvenil. A violência física, psicológica, sexual e a negligência são formas de agressão que marcam profundamente as crianças e adolescentes e não pode ficar impune. A prevenção também é fundamental.

O Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) é uma lei federal que assegura os direitos das crianças e adolescentes assim como institui deveres e responsabilidades perante esta população. Em seu artigo 5 estabelece:

“Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.” (ECA, 1990)

Assim, mais que mudanças na legislação referente às crianças e adolescentes, tão debatidas atualmente, faz-se necessário e urgente a efetivação das leis já existentes e a garantia de cidadania, com educação, saúde, lazer, respeito, dignidade e vida.

Estamos nessa luta e combatemos todo o tipo de violência para com as crianças e adolescentes. Em casos de suspeita ou confirmação de maus tratos, a denúncia é obrigação de todos e fundamental.
Você deve denunciar!
Delegacias Especializadas ou Comuns;
Disque Denúncia;
Disque Denúncia Nacional: Disque 100;
Conselhos Tutelares.

Para os moradores de Jacarepaguá, o Conselho Tutelar dessa região se encontra no seguinte endereço: Estrada Rodrigues Caldas, 3.400, Taquara, Rio de Janeiro, RJ. Telefone: 3347-3291.

*Tatiana Santiago – Assistente Social, Pós Graduada em Serviço Social e Saúde da Criança e do Adolescente.

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PARA NÃO ESQUECER! Dossiê denuncia impactos e violações de direitos no caminho para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.

dossieO dossiê foi lançado, no dia 12 de dezembro de 2011.  Mas continua extremamente atual.

O Dossiê da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa – Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Brasil, documento que reúne casos de impactos e violações de direitos humanos nas obras e transformações urbanas empreendidas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. Documento entregue aos governos e às prefeituras das 12 cidades-sede da Copa, além de órgãos municipais, estaduais, federais e internacionais.

O dossiê foi produzido coletivamente pelos Comitês Populares da Copa – que reúnem acadêmicos, moradores de comunidades, movimentos e organizações sociais – e consolida uma articulação feita em nível nacional para contestar a forma como a Copa está sendo implementada, fato que nunca tinha acontecido em países que receberam o evento.

Os Comitês Populares da Copa realizam atos simbólicos de entrega dos dossiês nas prefeituras municipais. O documento será protocolado ainda em secretarias de governos estaduais e ministérios do Governo Federal, além de órgãos como o Ministério Público Federal, o BNDES, a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas da União. A Comissão de Direitos Humanos da OEA, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e relatorias especiais da ONU também receberão uma cópia.

Veja abaixo os principais temas abordados pelo Dossiê:

Moradia:

Relato de casos de despejos arbitrários e remoção de comunidades inteiras em processos ilegais de desapropriação para obras da Copa. Apesar da falta de informação e dados disponibilizados pelos governos, os Comitês Populares conseguiram a estimativa de 150 mil a 170 mil famílias que já tiveram ou correm o risco de terem violados seus direitos à moradia adequada.

Trabalho:

As greves e paralisações nas obras dos estádios refletem baixos salários, más-condições de trabalho e superexploração da mão-de-obra em função de atrasos e cronogramas apertados. Além disso, são relatados casos de repressão a trabalhadores informais e de ameaças a direitos de comerciantes que têm estabelecimentos no entorno dos estádios e nas vias de acesso.

Acesso à Informação, Participação e Representação Popular:

A formação de grupos gestores, comitês, câmaras temáticas e secretarias especiais da copa, muitas vezes sob a forma de empresas, constituem instâncias de poderes paralelos, isentos de qualquer controle social. Por outro lado, casos concretos ilustram a falta de informação prestada de forma adequada às comunidades impactadas, o que traz triste lembrança de tempos autoritários.

Meio Ambiente:

Casos demonstram como as licitações ambientais têm sido facilitadas para obras, e como regulamentações ambientais e urbanísticas das cidades estão sendo modificadas arbitrariamente em função dos megaeventos. Na proposta do novo Código Florestal, possibilita-se a permissão para o desmatamento de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas obras para a Copa.

Mobilidade:

O direito à mobilidade é violado com a expulsão de famílias mais pobres de áreas centrais e valorizadas. Além disso, os investimentos em transporte e mobilidade urbana têm sido feitos sem levar em conta as principais demandas da população, priorizando regiões de interesse de grandes grupos privados, áreas que usualmente estão se valorizando.

Acesso a Serviços e Bens Públicos:

Como forma de minar a resistência dos moradores, prefeituras estão cortando serviços públicos de comunidades em processo de remoção. Além disso, órgãos públicos destinados à defesa da população mais pobre estão sendo reprimidos e até fechados, ao mesmo tempo em que medidas de “ordenamento” urbano têm violado o direito de livre acesso da população a espaços públicos.
Segurança Pública.

Medidas propostas ou já implementadas, como a criação de uma Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos no âmbito do Ministério da Justiça, evidenciam uma perspectiva de militarização das cidades durante os megaeventos. Por exigência da FIFA, algumas responsabilidades serão confiadas a empresas, o que aponta para a privatização dos serviços de segurança.
Elitização, ‘Europeização’ e Privatização do Futebol.

O fim de setores populares e o aumento dos preços dos ingressos afastam os mais pobres dos estádios. Além disso, as “arenas” da Copa estão sendo desenhadas em padrões que inviabilizam a cultura, o costume, a criatividade e a forma de se organizar e se manifestar do torcedor de futebol brasileiro. Estádios históricos, como o Maracanã, podem ser entregues à iniciativa privada.

LEIA NA INTEGRA O DOSSIÊ DE VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS NO CAMINHO PARA A COPA DO MUNDO:
http://comitepopulario.files.wordpress.com/2011/12/dossie_violacoes_copa_completo.pdf

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Livraria do JAAJ: Bons livros para sua leitura

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“Marketing da Sustentabilidade Habitacional”

Dia 27 de abril aconteceu o lançamento do livro “Marketing da Sustentabilidade Habitacional”, de Gisela Santana, na Livraria da entidade FEIC, na estrada do Pau Ferro.
“O livro da nossa companheira de lutas Gisela Santana, estudiosa do tema urbanismo, ecologia e sustentabilidade, que sendo moradora de Jacarepaguá viveu e vive, aborda também o caos que a Freguesia se tornou com a mudança do PEU (Plano de Estruturação Urbana) ocorrida em 2004, mas que até hoje o Prefeito Eduardo Paes não apoiou as alterações que a Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (AMAF) e todos os moradores reclamam”, fala Jorge Pinto, presidente da AMAF.
Leia, entenda e divulgue o livro “”Marketing da Sustentabilidade Habitacional”. Um estudo que reforça a luta por uma qualidade de vida que a especulação imobiliária torna “insustentável”.
Para adquirir o livro entre em contato com a Editora Mauad
<www.mauad.com.br> ou pelo telefone (21) 3479-7422.

“Orações do Coração”

Em tempos de fundamentalismo religioso, quando textos bíblicos são evocados para justificar preconceitos abomináveis, e de “Jesus é o caminho e eu sou o pedágio”, Chico Alencar, colunista do JAAJ, fez no dia 4 de maio, no lindo Parque das Ruínas, no bairro de Santa Teresa, o lançamento do livro “Orações do Coração”, uma pequena obra que vai na contramão disso tudo, fruto de reflexões favorecidas pela convalescença de um problema delicado de saúde.
Para adquirir o livro entre em contato com a <sol@chicoalencar.com.br>
ou pelo telefone (21) 2232-4532.

“Desvendando a Barra da Tijuca e Jacarepaguá”

O livro destina-se aos moradores da Baixada de Jacarepaguá, aos seus estudantes e a todos aqueles que possuem uma relação de amor com o antigo Sertão Carioca. Constitui-se em uma compilação de artigos publicados no JAAJ pelo professor Val Costa e pela Geógrafa Luciana Araujo, que abordam aspectos geomorfológicos, ambientais, sociais, históricos e econômicos da região.
A segunda edição do livro “Desvendando a Barra da Tijuca e Jacarepaguá” já está à venda por R$ 15,00 (+ frete).
Os pedidos podem ser feitos:
E-mail: barra-jpa@hotmail.com  ou pelo blog: http://barra-jpa.blogspot.com.br/

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Memória – 1º de Maio

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Quatro Primeiros de Maio de ontem, lições para hoje

Reconstruir nossa memória serve para traçar planos futuros. Neste artigo, o NPC relembra as principais manifestações do Dia do Trabalhador no século XX.

Na foto, manifestação do 1º de Maio de 1919, na Praça Mauá, Centro do Rio de Janeiro. Cerca de 60 mil trabalhadores compareceram ao ato na então capital do País, que tinha 600 mil habitantes
Quais as lições que tiramos do nosso passado, sobre o 1º de Maio? Qual foi a tradição durante todo o século XX, da nossa classe trabalhadora? Como o Brasil se inseriu na história das lutas do mundo do trabalho? Para resgatar esta memória vamos dar uma rápida olhada em quatro momentos da nossa história:
O começo da industrialização, com seus primeiros “Dia dos Trabalhadores”. O 1º de Maio de 1906 e o de 1907;
A tentativa de Getúlio Vargas de roubar dos trabalhadores o sentido do 1º de Maio. Anos 1940-1945;
A ditadura civil-militar sonha em enganar os trabalhadores no 1º de Maio de 1968, em São Paulo;
O 1º de Maio de 1980 em São Bernardo no Estádio de Vila Euclides.

1906 – No 1º de Maio, greve pelas 8 horas
Desde 1890 a classe operária no mundo fazia do 1º de Maio o Dia Internacional da luta dos trabalhadores. No Brasil, pequenos grupos de operários socialistas, já naquele ano, começaram a falar desta data e da luta pela redução da jornada de trabalho.
No começo de 1906, no Rio, a Federação Operária do Rio de Janeiro (FORJ), convida sindicatos e organizações operárias do país para uma reunião nacional. Em 15 de abril, no Rio, capital federal e maior cidade da América Latina, com meio milhão de habitantes, inicia-se o 1º Congresso Operário Brasileiro. Uns cinqüenta operários se reúnem para organizar suas lutas. Decidem criar uma confederação nacional, a Confederação Operária Brasileira (COB), e seu jornal quinzenal, a Voz do Trabalhador. Por decisão unânime, a luta central da recém-criada COB, deveria ser a conquista das 8 horas.
Durante aquele ano de 1906, aconteceram varias greves pelas 8 horas. Quase todos os setores da construção civil do Rio pararam e conquistaram, pelo menos momentaneamente, às 8 horas diárias. Os ferroviários de Jundiaí, a 50 km de São Paulo, fizeram uma greve que terminou com vários mortos e feridos e a promessa das 8 horas em 1º de Maio de 1907. Em Porto Alegre, em setembro, há uma greve de várias categorias que conseguem 9 horas de trabalho em todas as fábricas.
A luta pelas 8 horas continuará em todos os 1º de Maio seguintes.

1940 – Vargas tenta descaracterizar o 1º de Maio
Em 1º de Maio de 1940, Getúlio Vargas, no estádio de São Januário, no Rio, decreta o salário mínimo. A reivindicação era antiga. Desde 1900, em Paris, o Congresso da Internacional Socialista tinha recomendado que todos os partidos socialistas assumissem a luta das 8 horas diárias.
Vargas continua o que vinha fazendo desde que tomou o poder, em 1930. Moderniza o País através da criação de condições para o desenvolvimento industrial e da legislação trabalhista. O objetivo central desta legislação era controlar a luta de classes e fazer esquecer as três décadas de greve, manifestações e resistência operária. Para isto, nada melhor do que “doar” a lei do salário mínimo exatamente no dia 1º de Maio. A tentativa era transformar Dia do Trabalhador “sem governo e sem patrões” num dia de festa e conciliação entre capital e trabalho. Mas, a História dará muitas voltas e o 1º de Maio voltará a ser o dia da luta operária.
Um ano depois, a 2ª Guerra acaba com a derrota das ditaduras de Hitler, Mussolini e Hirohito. O movimento operário voltará a aparecer à luz do sol. Virá a anistia aos presos políticos e a legalização do PCB.

1968: a Ditadura queria enganar os trabalhadores
Em 1968, os brasileiros entravam no quarto ano de ditadura, arrocho, recessão e desemprego. Nos sindicatos reinavam os pelegos, muitos deles antigos interventores, nomeados pelos milicos. Sentiam a insatisfação de suas categorias e imaginavam formas de simular alguma resistência.
Na capital paulista, nas comemorações do 1º de Maio, o governador paulista, Abreu Sodré, juntou-se aos pelegos para uma manifestação de  descontentamento bem comportada na Praça da Sé, centro tradicional das manifestações do 1º de Maio.
Bom, pelo menos era isso que eles esperavam. Não contavam com os sindicalistas de oposição, com os grupos organizados do movimento estudantil, que se opunham à ditadura e com movimentos de bairro e de periferia.
Mal começada à farsa, vaias, agitação e pedradas no palanque obrigaram os pelegos e o governador a sair correndo. Sodré recebeu uma pedrada na cabeça e  foi flagrado saindo escondido. Enquanto a comitiva se refugiava na catedral, o palanque foi queimado e uma passeata desceu a rua XV de Novembro até a Avenida Ipiranga. Mas esse era apenas o começo de um ano quente. O Primeiro de Maio tinha sido, naquele ano, um primeiro grito de independência ideológica e política.

Um 1º de Maio debaixo de helicópteros
Em 1978, contra a vontade e os planos da Ditadura, um milhão de trabalhadores fizeram greves contra os baixos salários e contra as várias proibições do regime. Greves nascidas dentro das fábricas e até uma greve geral dos metalúrgicos de São Paulo liderados pela Oposição Sindical. O ano de 1979 começa aquecido e mais de três milhões de trabalhadores desafiam o governo em todo tipo de greve. Sete grevistas foram assassinados em piquetes.
Em 1980 acontece a segunda grande greve dos metalúrgicos de São Bernardo, que iniciará uma longa lista de greves anuais. Uma greve longa e pesada, com cassação e prisão da diretoria com Lula presidente preso. O movimento vivo dos trabalhadores, da cidade e do campo, do Brasil inteiro, confluiu para o grande 1º de Maio de São Bernardo.
A ditadura não queria admitir o desafio desta manifestação. As rádios alarmavam a população. São Bernardo se tornara uma praça de guerra com mais de cinco mil agentes da repressão. O pessoal se concentra na catedral e ruas adjacentes.
No final, a passeata ocupa a rua principal de São Bernardo, passa pelo Paço Municipal e continua rumo ao estádio de Vila Euclides. A polícia bate em retirada pouco a pouco.
Aproximadamente cem mil manifestantes tomaram conta das ruas da cidade com suas bandeirinhas do Brasil estendidas para os helicópteros do Exército ou da PM que voavam sobre suas cabeças. As faixas estendidas no estádio diziam tudo: “Viva o 1º de Maio”, “O Sindicato é você”, “Autonomia e liberdade sindical”, “Fim da intervenção”, “Trabalhador unido, jamais será vencido”, “A greve continua”.

*Texto e foto extraído do site do NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação.

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